É incrível como podemos estar no ano 2011 e alguns profissionais ainda acreditarem que o Império do Medo deva ser instalado no mundo corporativo.
Não raramente, chefes, diretores, gerentes, supervisores, que deveriam ser líderes acabam caindo para o lado da ditadura.
Acreditam ser respeitados, com a capacidade de fazer todos trabalharem a todo vapor. Gritam, ameaçam, discutem, geram intrigas, colocam colaboradores (para eles “meros funcionários”) uns contra os outros, realizam promessas em cima de promessas (que claro nunca serão cumpridas) e incentivam que outras pessoas façam o mesmo dentro da empresa. E são exatamente essas “crias” que continuam na empresa e vão passando entre gerações o modo de trabalho que provavelmente nossos pais estavam acostumados. Antigamente quando um chefe gritava, todo mundo se matava para fazer o trabalho.
Mas e no mundo atual ?
Funciona este tratamento ? As pessoas realmente trabalham melhor desta maneira ?
A resposta é simples, direta e mais rápida do que qualquer um possa imaginar.
Não. Um grande e sonoro não.
Àqueles que se julgam poderosos e avassaladores, a mais pura verdade. Ninguém os julga capazes ou inspiradores.
Pessoas com esse perfil são constantemente ironizadas e viram alvo da mais ampla gama de piadas nas mesas de almoço e happy hour. Todos os colaboradores passam a trabalhar pelo salário do final no mês. Apelidos são dados, conversas de canto, no café. Sempre com o mesmo objetivo, que é ridicularizar o “chefe”.
Hoje as pessoas procuram líderes, com quem possam realmente aprender algo novo. Dizia um amigo (que vou manter a identidade em segredo) – “Se trabalhar fosse bom, a gente não era pago para fazer isso.”
E querem saber ? É a mais pura verdade.
Não conheço absolutamente ninguém que esteja realmente feliz no trabalho. Podem estar felizes com o salário, com a proximidade da residência, com o horário mais flexível, de poderem viajar, entre outras inúmeras desculpas. Mas encontrar alguém que diga “Sou feliz com o meu trabalho” é algo raríssimo nos dias de hoje.
E de quem é a culpa ?
A resposta também é simples, fácil e dolorosa.
Dos incompetentes e dos sabe-tudo.
Pois é. Olhe para o seu companheiro do lado. Principalmente para aquele que você acha (ou tem certeza) que ganha mais que você. Tenho absoluta certeza que você acredita que possa fazer o trabalho dele melhor. Muitos tem o péssimo hábito de acreditar que cada um dentro da corporação é inferior. E, por conta disso, possui o direito de interferir no trabalho, dar opinião, dizer quem se faz ou não necessário à estrutura da empresa. Olhe para o lado de novo. Provavelmente tem alguém pensando exatamente o mesmo que você. É um ciclo vicioso.
E voltamos à figura do “chefe”. Por ser “chefe”, acredita que pode dizer o que cada um tem que fazer, e como fazer. E essa é a principal característica que o distancia (e muito) do líder. O líder delega, confia, instrui, apóia, aprende. Procura as principais características de cada um e os faz desenvolver ao limite. O líder soma habilidades e sabe muito bem lidar com pessoas mais competentes do que ele em algumas áreas. Não vamos confundir. O líder não é bonzinho. Ele pode ser energético, exigente, perfeccionista. Sabe corrigir a equipe sem tirá-la do rumo correto. Este é papel mais procurado hoje pelas organizações e empresas corporativas. E o mais difícil de se encontrar.
Conversando com estagiários, trainees, recém-formados, a maioria deles se diz pronto para conquistar o mundo. Mas não aos poucos. Acham-se prontos para cargos diretivos, para tomar decisões e gerenciar equipes de milhares de pessoas.
Esquecem que o caminho profissional é árduo e esburacado, constantemente incentivados por algum corpo docente a pegar o diploma que acabaram de tirar (principalmente nas principais instituições) e esfregar na cara dos empregadores, como se estivessem completamente prontos para a jornada. Nada mais verdadeiro do que o ditado “Toda grande jornada começa com um primeiro passo”.
E também é culpa da sociedade predadora em que vivemos. Hoje é muito mais importante se dizer “Fui promovido” do que “Realizei um ótimo trabalho”. Fazer um bom trabalho não conta. O que conta é alcançar aquela mesa destacada, seja qual for o custo.
Por isso estamos caminhando cada vez mais para a existência de maus profissionais, péssimos ambientes de trabalho e locais extremamente estressantes.
Mas há luz do fim do túnel.
Qual ?
Você.
Parabéns! Concordo plenamente!
Já passou da hora de você virar boss, chefe. Competência, experiência e coração tens de sobra para conquistar cooperadores e seguidores, quer dizer, mão de obra! rs sou seu fã! Agora vai esquentar a mamadeira!
Gostei muito do texto. Concordo plenamente: sobram “chefes”, faltam líderes.
Sensacional… eu concordo plenamente, as pessoas perderam a noção completamente!!! Chefes são muitos, agora líderes são poucos…
concordo em gênero, número e grau.
felizmente tenho tido conhecimento de empresas que têm lutado pelo melhor ambiente de trabalho e qualidade de vida de seus funcionários. Mas isso ainda é raro…
herança de nossa cultura escravista, de nossa sociedade preconceituosa, sexista e colonizada.